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Imensidão de mim

Eu passei minha vida toda escondida no meu quarto, quietinha, tentando não fazer barulho algum, na esperança de fazer o mundo esquecer que eu existo, e enfim deixar de existir. É cansativo manter essa pose toda de quem não sente, mas eu sinto, e sinto muito. Sinto demais por tudo o que eu perdi, e por tudo o que eu nunca tive. Por tudo o que eu tenho, e tudo o que eu gostaria de ter.

Hoje é um daqueles dias em que nada me conforta,  tudo me destrói. Eu não suporto mais esse vazio que eu carrego dentro de mim. Todos os dias é uma tortura acordar. Não faz sentido. Estar viva não faz sentido pra mim. Eu não tenho nada, eu não tenho ninguém. E tudo está fora de foco, eu não consigo entender o que está acontecendo ao meu redor. Eu não sei onde estou, e nem quem eu sou. Costurei um sorriso falso no meu rosto pra evitar perguntas. Porque não há motivos para estar aqui, céus, não há como ser feliz. E eu sinto vontade de cuspir na cara de  pessoas que falam "você deve ser feliz por conseguir falar e andar" mas eu não sou! Será que eu posso me sentir infeliz sem alguém me dizendo que meus motivos pra isso são fúteis?

Eu sou pequena demais pra suportar essa dor que eu sinto. Eu sou ignorante demais pra entender que isso é uma fase. Até quando tento me convencer de que não sou uma pessoa perdida, mas sim que estou perdida, machuca. Porque eu não sei como me encontrar nesse imensidão de mim.


Uma carta para os meus sonhos

Sou triste porque existo. Por que nada me completa, e tudo que me toca faz o meu corpo doer. Sou triste por viver de sonhos perdidos, e estar perdida em ilusões. Caminho por aí acompanhada dos meus piores pesadelos e com a ânsia de esconder o meu drama existencial. E aqui dentro eu carrego uma dor infinita como a dor e as estrelas; estrelas que tanto me encantam, devolvem-me a esperança e aquecem o meu coração enquanto eu me afogo nesse rio de lágrimas. 

Eu já caminhei por tantos jardins à procura de árvores que brotem felicidade e só encontrei espinhos. Eu já escalei tantas montanhas na esperança de perder a minha dor e só perfurei ainda mais as minhas feridas. As cicatrizes estão aqui para me lembrar. Felicidade é uma utopia, e sonhar não me preenche mais, me esvazia. E ao contrário do que eles dizem, nem todos os sonhos podem se tornar realidade, mas todos os seus sonhos podem te destruir. Porque é fácil esquecer de quem você é quando se está lutando por o que você quer. É fácil. Fácil demais. Tão fácil que me faz querer gritar, e tentar resgatar quem eu era antes de me esquecer. 

Vomitaram tristeza em mim e eu não tive permissão de pedir ajuda.

Eu já disse: Eu não sei viver. 

E a solidão não me conforma, mas aprendi a conviver com ela.


Olhos que brilham mais do que as estrelas

Eu estive sozinha, mas você nunca me deixou só. Eu te testei, te mandei embora, percorri o mundo sem você, mas   você não desistiu! E entre todos aqueles rostos que duvidaram de mim, eu enxerguei o seu.

Você que segurou a minha mão, que nunca me deixou cair... Você que é um pedacinho perdido do meu coração, mas nunca deixou de ser meu - não importa a quem você possua agora.

Existe tanta beleza nesse mundo que eu quero te mostrar hoje, mas também há tanta dor e tristeza que eu quero esconder. Eu quero te mostrar, que existem tantas pessoas por aí que não desejam brilhar com você, mas sim te ofuscar, te apagar. Mas eu não quero te ver sofrer. Não quero secar uma lágrima sequer que caia dos seus olhos - seus olhos que brilham mais do que as estrelas, e que me fazem lembrar que em algum lugar, existe um paraíso. Um paraíso feito para os sonhadores, para as pessoas de coração puro. Pessoas como eu e você. Que acreditam no amor, e que carregam feridas intermináveis em toda a alma. 

Eu sei que te marquei, também deixei uma cicatriz no seu coração. Eu só desejo que ao olha-la, você também sorria, da mesma forma que eu sorrio quando olho para as minhas; que são feias, grossas e ás vezes doem, mas são recordações, que servem para lembrar de quem eu realmente sou.