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Quando dói o coração, não se pode fazer nada. Nem beijo de mãe cura. E é como carregar uma barra de aço no peito, porque pesa, te derruba e te destrói. E não estou falando sobre o peso do amor, é sobre o peso da vida, das pessoas e de tudo o que diminui. (Naiady Almeida)





Como o céu e as estrelas



  Nós estávamos no parque. O silêncio dançava ao nosso redor, mas eu estava confortável. Eu tinha tudo o que queria bem ali. Ele. Nós. 

— Eu não quero te perder - Ele disse em meio a um suspiro
— Você não vai. Nunca. Nunquinha. E será a nossa promessa. Eu serei sempre sua, e você será sempre meu. Pode ser? - E eu estiquei o meu dedo mindinho como sempre fazia para firmar promessas, desde que tenho quatro anos de idade. Ele sorriu. Aquele sorriso bobo e sincero que sempre me encanta. Ele possui lindas covinhas, e eu não posso deixar de sorrir sempre que as vejo brotando em seu rosto.
— Você é linda, sabia? - e eu pude ver que ele não sabia como responder ao meu gesto, então, puxei o seu dedo e firmei junto ao meu. Ele me puxou para perto, e me beijou de uma forma como nunca havia beijado antes. Foi quente. Foi como um beijo de despedida, mas sem a parte triste. Ele é intenso. Ele é forte. Ele é bonito. Ele é perfeito, do jeitinho que ele é, e eu não trocaria nossos momentos juntos por nada. O sol estava se pondo, então deitei-me em seu colo para observar a magia que estava por vir. Ele alinhou o corpo ao meu, e me senti como um quebra cabeça. Ele é o único que se encaixa perfeitamente na bagunça que eu sou.
—  Eu já te disse que adoro o seu? É infinito, é lindo, e não existe nada comparado a ele.
— Eu sinto algo parecido quando estou com você.
— Parecido como?
— Eu não sei. Toda vez que estamos juntos, eu me sinto livre de toda essa pressão que existe no mundo. Você é como um universo, que é só meu. E eu não preciso seguir regrar.
— Um universo?
— É. Não me confunde, chuchu! - ele me chama assim desde que nos conhecemos. No começo eu achava clichê, mas o amor o nosso amor já é clichê demais para eu me importar com esse tipo de coisa - Eu te amo de uma forma que... Ah, eu não sei. Mas é maior do que qualquer coisa que eu senti. É como se fosse infinito, como o céu e as estrelas, e poder te ter comigo é tudo o que eu preciso. Eu não preciso de mais nada. Você é o meu universo.
— Como o céu e as estrelas... Eu gostei disso.
—  É claro que gostou!
— Ahhh, não seja bobo! Você sabe que desde que você segurou a minha mão pela primeira vez eu senti o meu coração bater rápido feito uma batedeira. E quando você me beijou, ah... Eu não sei explicar. Depois daquele dia eu sinto como se todos na rua pudesses ver que eu encontrei alguém, está tatuado na minha testa.
— Deixa eu ver?
— Ver o que?
— Essa tatuagem?
— Ah, seu ridículo  - eu levantei para dar-lhe um tapa mas ele me segurou, e me abraçou - Argh, porque você é assim? 
— Sei lá. Acho que eu caí do berço ou coisa parecida.
— Você é um bobão, sabia?
— Assim eu choro. Que tipo de ofensa é bobão? Deve ser barra pesada, só as crianças de cinco anos lá na creche falam isso!

Eu não aguentei, eu tive que rir. E senti o meu rosto queimar de vergonha.

— Eu não tenho culpa se sou uma meiguice em pessoa, meu bem.
— Você tem sim. Tem que aprender um palavreado mais descolado, chuchu. Namorada minha não pode falar bobão por aí, que isso!
— Ah é? Então você deveria procurar uma namorada nova.
— Talvez eu procure.
Eu sabia que era brincadeira. Mas eu gosto de fazer um draminha típico, e poder ver a reação dele. No fundo acho que ele também gosta. Me soltei de seus braços, ele recuou, tentou impedir, mas levantei e saí. Cruzei os braços e me virei para ele:
— É o que deveria fazer. Definitivamente.
— Você tá falando sério?
— Tá duvidando? Vejo você depois, Victor.
— Ei chuchu, para com isso, é brincadeira! - Em um pulo ele estava em pé ao meu lado - Hein, hein - insistiu cutucando a minha barriga. Irritante! Empurrei as mãos dele para longe e gritei para que parasse. Ele não parou. Em um impulso desesperado fugi correndo dali, rindo como uma criança em um parque de diversões. Ele foi atrás. Droga. Ele é tão mais ágil que eu, não tem graça. Ele me segurou forte em seus braços, e sussurrou ao pé do meu ouvido "você é tudo o que eu preciso, lembra?" e foi o suficiente. Nossos dias são assim. Repletos de amor, brincadeira, e briguinhas falsas. E sem isso a vida não teria graça.

Le pétale noir



A minha idade mente. Mente quem eu sou e quem eu gostaria de ser. Os pensamentos se enrolam, e eu sonho tanto  que certas vezes esqueço se vivi ou se menti. Esqueço se imaginei ou se realmente amei. Ouvi dizer que mentiras ditas em voz alta tornam-se verdades e não tive medo de seguir em frente. Criei personagens que pudessem esconder minhas fraquezas. Costurei sorrisos que nunca pertenceram ao meu rosto. E tudo ficou tão vazio.

Eu olho para o espelho e não me reconheço. A menina que eu fui sentiria vergonha do eu me tornei. Sou uma sobra do que deveria ser. Uma sobra de todos que partiram. Uma sobra dos olhos da menina que brilhavam ao imaginar o futuro. Nada mais do que uma sobra de tudo o que vivi. 

Gostaria de poder me redesenhar, e ser tudo aquilo o que eu sempre quis ser. Gostaria que meus olhos brilhassem novamente, e de sentir que estou viva, mas ás vezes eu estou tão sozinha, que não tenho coragem de abrir mão nem mesmo da solidão, e é preciso segurar firme o meu coração machucado para conseguir seguir em frente. 

É como aquela canção "felizes são aqueles que não sentem" e eu, meu amigo, sofro as dores da vida porque sinto demais.