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Mãos de criança, dores de gente grande

Sentia-se sozinha de uma forma que nenhuma pessoa merecia sentir-se. Dizia que o seu lugar favorito no mundo era o seu quarto; era simples, paredes brancas e ali encontravam-se as únicas coisas que ela realmente tinha, que resumiam-se em algumas roupas e livros. Os livros tornaram-se uma válvula de escape, e era difícil manter-se fora de uma estória, mesmo quando não estava lendo.

A realidade é dura, e ela nunca quis enfrenta-la. Mas que escolha tinha? Uma hora ia acontecer, mas nunca estaria pronta para isso.

A cada dia que passava, seus pequenos dedos tornavam-se mais enrugados, e seus olhos viam coisas que não desejava ver. A maldade das pessoas. A maldade do mundo. Não é reconfortante viver em uma realidade tão cruel: Sem amigos, sem alguém que a entendesse e pudesse abraça-la enquanto as lágrimas afogam seus sonhos.

Por muitas vezes, olhava ao redor à procura de algo que a fizesse acreditar que o mundo era um lugar bom, e que desejava viver aquelas pequenas coisas banais que todos os outros da sua idade viviam, como por exemplo namorar, beber, sair a noite e coisas do tipo. Mas era impossível. A solidão sempre foi um buraco, sugando todas as vontades que ela um dia ousou  sentir. Até que conformou-se, e decidiu criar o seu próprio mundo. Onde existe sorrisos de bebês em todos os rostos maus e a tristeza não existe. Mas no fundo, ela nunca acreditou em tudo aquilo, ela só precisava pensar em algo menos mórbido do que a morte.

Frequentemente sentia-se mal, mas nunca compreendeu o motivo. O seu coração era grande. Talvez fosse esse o motivo: Um coração grande atrai grandes dores.


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