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Poeira

Dá uma vontade de voltar. De pegar as palavras que eu disse, joga-las em um poço e abafar o eco. E tem aquela saudade dos abraços verdadeiros, de ouvir a voz rouca dele pelas manhãs, de ouvir os nossos risos sincronizados...

O passado é repleto de momentos bons, mas também existem aqueles tropeços que gostaríamos de ter evitado. E dá vontade de pegar tudo aquilo de volta, de apagar os momentos ruins e reconstruir as histórias. 

Eu tentei esquecer... Mas eu me lembro.

Lembro dos meus cabelos azuis, da vontade de ser diferente, das vezes em que gritei e me arrependi - e do quanto aquilo doeu. E também teve aquela vez em que eu chorei sozinha no meu quarto, e prometi pela décima vez naquele dia que ninguém poderia me machucar. Eu gostaria de poder voltar, de não sentir tanto, de sorrir mais, pular mais... Mas se as coisas não tivesse acontecido daquela maneira, hoje eu não seria quem eu sou. Não teria amigos tão bons quanto os que conquistei, e nem tantas histórias pra contar. 

Apesar de doer, eu não quero esquecer. 

Espalhei as fotos pelo quarto, mas a poeira que cobre as cartas me impede de chorar todos os dias. 

Eu quase perco o ar quando relembro o que vivi.