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Vinte por quatro


Eu entrei na sala e ele estava lá. Todos estavam olhando pra ele, admirando o cabelo bem cortado e a barba malfeita. Um desastre perfeito. Instantaneamente minhas mãos começaram a tremer. Eu passei as últimas vinte a quatro horas treinando formas de relaxar a mente e fazer meu nervosismo passar despercebido. Foi inútil. Ele tinha o controle sobre todas as minha emoções. Senti vontade de virar as costas e ir embora, mas ele me viu e meu estômago congelou. As borboletas que antes estavam voando em círculos dentro do meu estômago agora batiam de encontro ao meu coração, pedindo pra sair. 

"Oi" foi tudo o que ele disse, e meu mundo desacelerou. 

Ele me convidou pra sair e caminhar, e tudo o que eu queria é poder segura-lo com as mãos e impedir que ele fugisse de mim. 

Naquela tarde conversamos sobre nossas mães controladoras e pais descontrolados. Ele me mostrou as cicatrizes de infância, e eu contei sobre os meus medos. Contei sobre as vezes em que caí da escada de casa, e nós rimos juntos. Ele disse que o meu sorriso é lindo e eu senti o rosto queimar com o elogio inesperado. Ele nem percebeu. 

Pude ver o meu reflexo na vitrine de uma loja, e eu o olhava da mesma forma que um cego olha o mundo pela primeira vez. 

O esforço para não me afogar nas palavras dele me deixou tonta, me segurei na cadeira pra vontade de sair correndo não me vencer. Então eu fiquei e sorri. E decorei cada pedacinho dele pra depois tatuar em mim.

Ele é indomável como o mar, e eu sou uma andorinha perdida.

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