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Chuva


Hoje o céu estava azul, mas tudo o que eu consegui ver eram as nuvens cinzas, anunciando a chuva que está por vir. Mas nunca chove, e eu me sinto como essas nuvens: Cheia e vazia, esperando por um alívio que nunca vem. E os ventos que trançam os meus cabelos são os mesmos que carregam toda a tristeza e a saudade do que eu já fui. Das coisas que eu já tive, e das pessoas que eu conheci.

As palavras vermelhas são como o sangue que me mantem viva, mesmo quando eu desisti de caminhar.

Certo dia eu estava numa dessas ruas vazias, e alguém sussurrou todos os meus medos ao pé do meu ouvido. Minha visão embaçou, e perdi o caminho de casa. Desde então tudo o que eu tenho são as marcas de meus pesadelos frequentes. 

Tudo o que representa felicidade me leva de volta a inocência que eu nunca tive; de amar e acreditar, de ir até o fim e não ter medo.

Eu segurei em uma mão, mas ela me soltou, e como uma boneca de pano eu caí. A queda foi longa, e os joelhos sangraram, eu tentei levantar, mas as sombras sempre foram tão gentis que decidir ficar ali.

Cresci rodeada de olhos vazios, e corações quebrados.

Os espelhos não são fieis,
Eles não refletem a alma.
Eles te sugam, até não restar brilho suficiente para ofuscar qualquer estrela; e até a mais bela das rosas possui espinhos.

O caminho para felicidade é longo, mas o inferno está logo ali.